Filme: O aborto dos outros

25 de junho de 2011 Deixe um comentário

 

Eis aqui o primeiro post referente a um filme do gênero documentário. O aborto dos outros (2008), filme brasileiro com co-patrocinado pela prefeitura de São Paulo, trata de um dos temas mais polêmicos e mais debatidos no Brasil e no mundo nos últimos tempos.

A estrutura do filme é bastante singular: ele é divido em blocos, cada qual tratando de um caso de aborto de mulheres ou garotas. Cada caso é uma história, desde vítimas de violência sexual até mulheres que abortaram porque não queriam ou não tinham condições de ter um filho no momento. O caso principal do filme é o de uma garota de 13 anos estuprada e que decide, ela mesma, que quer interromper a gestação. Todo o processo deste aborto é acompanhado no filme, desde o momento da decisão da jovem até o final do procedimento, envolvendo vários dias de dores e contrações. Este caso é retomado durante o filme todo, dividido em várias cenas que são intercaladas com outros casos, estes curtos.

Alguns dos blocos do filme consistem no acompanhamento filmado de todo o processo de aborto (como acontece com o caso citado), outros consistem em depoimentos de quem já realizou o aborto. Todas as cenas são livres de narração, e o único diálogo é o que acontece na cena. O filme conta com alguns efeitos visuais simples e de grande impacto (as cenas são separadas por um clarão na tela e em dada cena o áudio de um depoimento é colocado sobre uma imagem de uma torneira pingando incessantemente, por exemplo), tornando o filme agradável de assistir e, como já dito, bastante singular.

O filme também nos mostra muito do mundo do aborto. Qual é o processo para se conseguir autorização legal para um aborto, como a equipe de médicos decide conceder ou não o laudo para que a suposta vítima peça autorização legal (afinal, qualquer mulher que queira realizar um aborto pode se declarar vítima de violência); quais são os métodos mais comuns e como eles são aplicados, dentre outras coisas.

Ao final do filme, uma série de especialistas, professores, médicos e etc se pronunciam sobre o aborto: a favor ou contra, e quais são as razões que sustentam esta opinião. Também estas cenas seguem a estrutura sem narração. Os depoimentos apresentados são divergentes, de modo que o filme não é conclusivo e nem inclina-se a nenhuma opinião. Fica a critério do espectador formar uma opinião sobre o caso. De qualquer forma, o filme fornece muitos subsídios para que o leitor forme esta opinião.

O meu modelo de documentário ideal, que é a de prover material de todos os aspectos de determinado tema e não tomar parte em uma opinião, ficando isso a critério do espectador, é satisfatoriamente representado por O aborto dos outros. Talvez o filme pudesse conter cenas do acontecimento de um aborto ilegal, e isso o tornaria completo. Mas entendo que tais cenas poderiam torná-lo “pesado” ou “forte” demais um de seus principais fins, o de ser usado pela prefeitura de São Paulo para a educação dos cidadãos. Mesmo sem este adicional, o filme é bastante bom e eu recomendo que vocês assistam.

Obs: no site do filme, http://www.oabortodosoutros.com.br/, há informações sobre o filme, sobre o aborto e fóruns de discussão.

 

NOTA (0 a 10): 8.50

Talvez você já tenha assistido O aborto dos outros. Se assistiu, o que achou?

Filme: Thor

13 de maio de 2011 2 comentários

Bom dia. Venho aqui hoje escrever sobre o grande lançamento da Marvel no mês (e não o grande lançamento no mês porque este é Fast Five, que eu não assisti ainda): Thor. O Deus do Trovão da mitologia nórdica, nem de longe tão prestigiado pelos leitores de HQ quanto Homem-aranha, Super-Homem e X-Men, ganhou a versão de cinema já sabendo-se que não geraria tanto público quanto os super-heróis citados acima; mesmo assim a Marvel fez um investimento pesado de marketing e elenco para a produção.

O filme acompanha o amadurecimento do Príncipe Thor, um garoto fanfarrão que arremessa montanha aos ares usando um martelo de 40 cm, para que este possa assumir o trono de Asgard, reino de seu pai, Rei Odin. Outro personagem importante na história é Loki, o irmão trapaceiro e Maquiavélico (muito embora Loki seja um personagem muito mais antigo que Maquiavel) de Thor.

Basicamente, Thor está para ser coroado Rei quando cai em uma armadilha se seu irmão, Loki, que o leva a invadir um Reino rival e causar uma guerra entre seu povo e o outro. Esta atitude impulsiva e irresponsável leva seu pai, o Rei Odin, a bani-lo de Asgard; e Thor é exilado na Terra. Aqui ele conhece Jane Foster, uma cientista frustrada que não consegue reconhecimento no mundo científico. Obviamente, eles irão se apaixonar no decorrer da história.

Enquanto Thor está na Terra, Loki põe em prática um plano que visa matar o Rei Odin, assumir o trono e abrir as fronteiras de Asgard a seus inimigos. Plano esse que só é frustrado pelo retorno de Thor (resgastado por amigos e de martelo e armadura), que amadurece e se mostra digno do trono de Asgard.

No fim das contas, ele será nomeado Rei, Loki será expulso e Odin não morrerá. Ah, claro, e Jane será abandonada depois de beijar o Deus do Trovão. Apesar disso, Jane consegue se firmar no mundo científico sendo contratada por, ela mesma, a SHIELD. Como a grande maioria dos filmes da Marvel, há uma cena-pós final que traz Nick Fury, o diretor da SHIELD, vivido, obviamente, por Samuel L. Jackson, que cria uma ponte para um possível Thor 2. Havendo ou não havendo um segundo filme do Deus do Trovão, nós certamente o veremos na tela novamente, na versão de cinema de Os Vingadores.

O personagem Thor é interpretado por Chris Hemsworth, ator australiano que eu, pessoalmente, nunca vi em um uma grande produção. Jane Foster por nada menos que a melhor atriz da atualidade, Natalie Portman, que mesmo em um papel bastante secundário é impecável. Thom Hiddleston faz uma interpretação bastante boa de Loki. O gênio da dramaturgia Anthony Hopkins interpreta o também secundário Odin; e todos os demais atores e atrizes são dispensáveis.

A história não é muito bem desenvolvida. Para tratar do amadurecimento de personalidade de um molecão metido para se tornar um Rei, mais situações deveriam ter acontecido. Mesmo assim, dá pra acompanhar. Os efeitos especiais são usados exageradamente e abusadamente. Barulhos ensurdecedores (mesmo) em qualquer situação, além de vôos desnecessariamente brutais após uma martelada de Thor, que arremessa gigantes aos ares como se fossem formigas. Sensacionalismo à todo momento. Além disso, possui cenas sérias que saíram engraçadíssimas.

Bastante ação, sim, e cenários interessantes. Mas tenho certeza que os verdadeiros fãs de Thor se decepcionaram bastante. Diria que, divergindo da normalidade do cinema Marvel, Thor é mesmo um filme para criança. Se você não tem nenhuma razão especial para ir assistir, não vá. Assista outra coisa. É um filme divertido, não um bom filme.

NOTA (0 a 10): 6.00

Você, que assistiu Thor, o que tem a dizer sobre o filme?

Filme: O homem da máscara de ferro (1998)

21 de abril de 2011 1 comentário

Aproveitando os assuntos mosqueteiros e literatura francesa abordados no post sobre o filme Os três Mosqueteiros (que você pode ver clicando aqui), hoje o post é sobre o clássico de Sessão da Tarde O homem da máscara de ferro.

O filme é, na verdade, uma continuação não-oficial do citado filme Os três Mosqueteiros, de 1993. E apesar de não ser um sucesso de crítica, O homem da máscara de ferro acabou com uma sequência de 6 meses do filme Titanic como campeão de bilheteria nos Estados Unidos.

Pois bem. O filme é baseado no romance de Alexandre Dumas (mesmo autor de Os três mosqueteiros) O Visconde de Bragelonne. Na história, o Rei francês Luis XIV, filho do Rei que equivaleria ao Luis VIII no filme Os três mosqueteiros (há um conflito de nomenclatura, pois a lógica seria que o Rei de Os três Mosqueteiros fosse Luis XIII ou o Rei de O homem da máscara de ferro fosse Luis IX, o que não ocorre; no entanto, os personagens dos dois filmes são pai e filho, visto que a Rainha Anne, da Áustria, é esposa de Luis VIII e mãe de Luis XIV), governa a França de acordo com seus próprios desejos, declarando guerras desnecessárias e gastando, com estas guerras, o dinheiro e a o alimento do povo francês, povo esse que passa fome.

Aramis, um dia Mosqueteiro, virou um velho clérigo que é também, na verdade, o líder dos Jesuítas, que se manifestam sempre contra as guerras do Rei (não preciso citar que a companhia de Jesus possuía um poder considerável durante a era das trevas). Porthus torna-se um velho beberrão que gasta seus dias com belas jovens mulheres e está sempre resmugando sobre ser um velho inútil, que deveria se matar. Os dois ex-mosqueteiros vivem juntos.

Athos, o terceiro mosqueteiro, mora com seu filho Raoul, por volta de seus vinte e poucos anos, sua maior preciosidade na vida. Raoul é o filho que Athos sempre quis: bonito, inteligente, que se preparava para se unir aos mosqueteiros e pedir a mão de sua amada (Christine Bellefort) em casamento. Por fim, D’Artagnan, o mais jovem deles, é, em O homem da máscara de ferro, um homem maduro, influente, o Capitão dos Mosqueteiros (que reprime uma paixão pela Rainha-Mãe da França Anne).

O clima na França é tenso. O Rei Luis segue gastando seus dias seduzindo jovens moças e declarando guerras comprometedoras. O povo, claro, segue atacando o Palácio de Paris e protestando contra a fome que passam. O Rei convoca Aramis a matar o líder dos Jesuítas (que é, no caso, ele mesmo), já que a Ordem de Jesus estava causando tantos problemas “à França”. Além disso, o Rei planeja a morte de Raoul, filho de Athos, visando liberar o caminho para o coração (ou outros órgãos) de Christine.

Tais atitudes levam os 3 velhos mosqueteiros e D’Artagnan a se reunirem secretamente. O tema da reunião, levantado por Aramis, é a derrubada do Rei Luis XIV. Os 4 sabem o quão o Rei Luis é desonrado e vil, obviamente, e assim Athos (buscando vingança por seu filho) e Porthos (provavelmente em busca de alguma ação) aderem prontamente à causa. D’Artagnan, no entanto, se recusa a quebrar seu juramento de proteger o Rei, por menos digno dessa proteção que ele seja. Isso decreta que D’Artagnan e os 3 mosqueteiros se tornarão inimigos.

Assim, Athos, Porthus e Aramis começam a planejar a queda do Rei. Aramis, o autor da ideia, revela que o plano é trocar Luis XIV por Phillipe, seu irmão gêmeo; que foi feito prisioneiro pelo Rei aos 16 anos, e passou 6 anos, desde então, aprisionado a uma máscara de ferro que esconde sua identidade; sem que ninguém perceba. Por mais difícil que a missão pareça, os mosqueteiros libertam o prisioneiro secretamente e começam a ensiná-lo a portar-se como um Rei.

O objetivo é trocar os irmãos durante um baile de máscaras promovido no palácio. A mãe dos gêmeos, a Rainha-Mãe Anne, é avisada por Aramis do plano. Anne, na verdade, acreditava que seu segundo filho havia morrido no parto, quando na verdade seu marido havia mandado-o para viver longe da capital, como um garoto comum, eliminando, assim, o risco da luta pelo poder entre os irmãos racharem o Reino. A Rainha só soube da verdade com o falecimento do seu marido e a ascensão de Luis ao trono, que ordenou que seu irmão fosse aprisionado à máscara.

Conforme o plano, no dia do baile, os irmãos são trocados, mas os olhos ligeiros de D’Artagnan percebem a diferença e os mosqueteiros são alertados para fechar as saídas do Palácio. E os três ex-mosqueteiros são capturados na saída com o verdadeiro Rei Luis. Após fazerem-no refém, no entanto, conseguem escapar, mas Phillipe é capturado. Luis, furioso, ordena que seu irmão seja novamente aprisionado à máscara, impiedosamente.

Desta vez, no entanto, D’Artagnan entende a necessidade de depor o vil Rei da França e segue em direção à bastilha onde Phillipe está aprisionado para, ao lado de seus velhos amigos Athos, Porthus e Aramis, salvar o prisioneiro. Assim eles fazem, mas o Rei Luis é avisado a tempo e a bastilha é cercada por soldados do Rei. Os mosqueteiros e Phillipe tentam escapar, mas se vêem encurralados dentro da bastilha. Assim, eles decidem morrer dignamente, em batalha, não antes de D’Artagnan revelar a Phillipe que é, na realidade, o pai dele e do Rei Luis.

Os ex-mosqueteiros avançam sobre os mosqueteiros do Rei com espadas em punho, contra armas de fogo. No entanto, os mosqueteiros respeitam e admiram as lendas vivas que lhes atacam demais para baleá-los. Assim, os velhos mosqueteiros sobrevivem à saraivada de balas. Os mosqueteiros do Rei recusam-se solenemente a atacar os dignos heróis perante eles, e o Rei Luis tenta, ele mesmo, apunhalar Phillipe, mas acaba por apunhalar D’Artagnan, seu pai.

Com a morte de D’Artagnan, os Mosqueteiros libertam Phillipe da máscara e trocam as vestimentas dele com as de seu irmão, Luis. Desta maneira, poucos dignos mosqueteiros presenciam a troca do vil Rei Luis XIV pelo Rei Phillipe, que, em O homem da máscara de ferro, se tornaria o melhor e mais justo governante da França. Luis é aprisionado no lugar de seu irmão e Athos, Porthus e D’Artagnan são nomeados Conselheiros do Rei. E assim encerra-se a história.

Primeiro vale dizer que o filme, embora baseado, diverge em muitos aspectos de O Visconde de Bragelonne, dentre eles o fato de D’Artagnan ter tido um caso com a Rainha Anne e ser o pai dos Reis. Além disso existem algumas inconsistências literárias na história, que não são grande problema, já que o filme é fictício.

O homem da máscara de ferro foi dirigido por Randall Wallace e seu maior astro é o americano Leonardo DiCaprio. A propósito, DiCaprio interpreta muito bem o arrogante Rei Luis e o ingênuo Phillipe. Há também a presença de Hugh Laurie, que interpreta o Dr. House (na série do Universal Channel), e no filme interpreta um personagem sem importância.

Creio que todos os leitores já tenham assistido O homem da máscara de ferro. Em todo o caso, porém, digo que é um filme mediano, uma boa ficção, com uma baita trilha sonora e uma boa representação do ambiente da idade moderna. Por todos esses fatores, eu optei por ter o DVD em casa, mas a crítica, em geral, não é positiva. Em suma: assista se passar na TV, mas não gaste dinheiro alugando o DVD.

NOTA (0 a 10): 7.00.

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Filme: Rio (2011)

20 de abril de 2011 Deixe um comentário

Essa postagem NÃO contém spoiller

Não é à toa que a animação Rio, produzida pela 20th Century Fox e dirigida por Carlos Saldanha, teve o recorde deste ano de bilheteria na estreia mundial e o mesmo recorde de bilheteria deste ano na estreia nos Estados Unidos. O filme vem forte como grande favorito para levar a estatueta de melhor animação do Oscar 2012, apesar de lançamentos de outras animações de sucesso (como Kung Fu Panda 2) estarem previstos para este ano.

Rio conta a história de Blu, uma Arara-azul macho que é retirada de seu hábitat natural, no Brasil, quando é apenas um filhote e contrabandeada para Minnesota (EUA). Uma garotinha, Linda, encontra-o na rua após a caixa onde a ave estava presa cair de um caminhão de transporte de animais de estimação, e o cria até a idade adulta. Blu e Linda tornam-se grandes amigos e vivem felizes em Minnesota, onde Linda possui uma livraria, chamada Blu Bird.

Um dia, na livraria, chega um ornitólogo brasileiro chamado Túlio, que diz a Linda que Blu é o último macho da espécie e a última fêmea está em um laboratório no Rio de Janeiro. Túlio sugere que Linda viaje com ele e Blu ao Brasil para cruzar as duas aves e não deixar a espécie morrer. Apesar de relutante, Linda aceita.

Já no Rio de Janeiro, Blu conhece Jade, a fêmea de Arara-azul, uma ave selvagem que tenta a todo momento escapar daquele lugar e voltar para a natureza. No entanto, durante a n0ite, o laboratório é invadido por contrabandistas de aves e vários espécimes são capturados para serem exportados em um avião. Uma maligna cacatua (macho) chamada Nigel, ave de estimação do contrabandista, vigia as aves em suas gaiolas com seu olhar cruel.

No entanto, Blu e Jade conseguem escapar devido à habilidade do primeiro para abrir gaiolas, habilidade essa que ele adquiriu ao longo de sua vida como pássaro doméstico. Eles escapam das garras de Nigel, mas encontram um grande problema: Blu não sabe voar, e os dois estão acorrentados. A partir daí, as duas araras exploram a cidade do Rio de Janeiro, que está em semana de carnaval, em busca de Liberdade e de Linda (enquanto Linda e Túlio também desbravam a cidade atrás das aves).

No decorrer da história, Blu conhece um Tucano tipicamente carioca, descobre o samba e o carnaval; Linda enfrenta a Sapucaí lotada e Jade cria algum afeto pela ave doméstica tosca e covarde acorrentada a ela. Vale muito a pena conferir o fim dessa história!

Rio é, acima de tudo, um apelo desesperado contra o tráfico de animais silvestres. Através de estratégias bastante bem pensadas, como a personificação das aves que vivem felizes na floresta e entram em estado de pânico total com a chegada dos caçadores, o filme tenta comover o espectador e alertá-lo sobre o crime contra a vida que é cometido todos os dias em florestas (do mundo todo, mas, principalmente, brasileiras).

O diretor Carlos Saldanha, carioca de nascença, vai se consagrando no cenário das animações. Após co-dirigir A era do gelo e Robôs e dirigir A era do gelo 2 e A era do gelo 3, Saldanha fez de “Rio” a animação americana mais brasileira da história. Além do tema principal (o tráfico de animais), o filme mostra diversos aspectos da cidade maravilhosa para o mundo de forma bem simples.

As favelas, o garoto órfão que precisa cometer crimes para sobreviver, a paixão incontrolável pelo futebol, a “malandragem” e a alegria do carioca, o samba e o melhor carnaval do mundo, a música popular brasileira, a mulher carioca, a típica figura do pagodeiro e do funkeiro carioca, o espírito de companheirismo, os contrabandistas e bandidos do Rio, a praia, o turismo, a natureza e a diversidade, dentre tantas outras coisas, são retratadas em Rio. É a mais bem-sucedida tentativa de vender a imagem do Brasil para o mundo através de um filme até então.

Na versão original (em inglês), a dublagem é realizada por atores e atrizes de ponta. Os principais deles são Anne Hathaway, Jesse Eisenberg, Rodrigo Santoro e Jamie Foxx. Na versão em português (a qual eu recomendo que você, leitor brasileiro, assista) a dublagem é muito bem feita como em todas as animações aqui no Brasil.

O filme tem uma versão em 3D, versão esta que está no topo da lista de maiores bilheterias da semana do Cinemark (seguida pela versão em 2D). Para os fãs de efeitos visuais, as cenas das aves voando de asa delta prometem ser espetaculares em 3D.

Por fim, fica minha recomendação para que TODOS os brasileiros assistam Rio. Vale muitíssimo a pena. Depois voltem e comentem o que acharam.

NOTA (0 a 10): 9.00.

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Filme: Os três Mosqueteiros (1993)

17 de abril de 2011 4 comentários

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O clássico da literatura francesa, Os três Mosqueteiros, de Alexandre Dumas, possui uma quantidade considerável de versões no cinema. A versão da Disney de 93, estreada por Charlie Sheen e dirigida por Stephen Herek é bastante simples e interessante.

O filme segue um roteiro bastante previsível, o que não é um ponto contra quando se trata de uma adaptação da literatura, adaptação está que também tem estilo previsível e obediente. Na história, o jovem espadachim francês D’Artagnan (que sabe-se lá de onde veio e o que fazia da vida), interpretado por Chris O’Donnell, decide viajar para Paris, com objetivo de tornar-se um mosqueteiro assim como seu pai foi.

Por volta do século XIII os mosqueteiros eram guardas (e muitas vezes amigos) pessoais do Rei da França. Em geral eram exímios espadachins e manuseavam bem armas em geral. Eram juramentados a proteger o Rei acima de qualquer coisa, sob o lema “Um por todos e todos por um”.

Pois bem. Ao chegar em Paris, D’Artagnan descobre que os mosqueteiros haviam acabado de ser extintos. Na verdade, por trás daquilo residia um engenhoso golpe de estado do Cardeal de Richelieu, autoridade cristã máxima no Reino. O Cardeal representa um comum personagem da idade média, o poderosíssimo (e vil) clérigo que governa a nação por trás do representante oficial (neste caso, o Rei). Rei este, Luís VIII, jovem, imaturo e ingênuo. Características que, obviamente, só podem significar a ruína da pátria.

O Cardeal dissolve, pelas costas do tolo Rei, a organização dos mosqueteiros, substituindo-a pela sua guarda pessoal, de modo que o Rei passaria a ser protegido pelos seus soldados (e soldados da igreja). No entanto, três inseparáveis mosqueteiros, Athos – interpretado por Kiefer Shuterland -, Porthus – interpretado brilhantemente por Oliver Platt. Talvez a mais hilária interpretação do prepotente Porthus no cinema – e Aramis, o padre – interpretado, pasmem, por Charlie Sheen.

O personagem de Sheen merece atenção. Imagine você, caro leitor, o fanfarrão Charlie Sheen interpretando um PADRE, sendo “salvo por Deus” em uma das cenas do filme, duelando com espadas e conquistando mulheres através de poemas românticos. Em uma palavra, cômico. Bastante cômico, na verdade. Claro que o personagem precisaria trazer ao menos algum traço do ator que o interpreta e, por isso, esta versão de Aramis pensa que devemos nos render aos desejos da carne, afinal essa é uma necessidade natural, mesmo que isso signifique adultério.

Voltando à história, D’Artagnan junta-se aos três mosqueteiros e, após acontecimentos importantes, os quatro partem para uma cidade portuária da França, para impedir que uma espiã leve ao Duque de Buckingham, da Inglaterra – uma espécie de Cardeal de Richelieu inglês, que governa o país por trás do Rei (e que, neste cenário, pretendia atacar a França) – um tratado de paz, uma aliança secreta para que o Cardeal e o Duque pudessem derrubar seus respectivos reis e tomar o poder de seus reinos sem que os dois países entrassem em guerra após isso.

No entanto, os três mosqueteiros e D’Artagnan impedem que tal tratado saia da França (e, para isso, executam a Condessa de Winter, antigo amor de Athos e a a citada espiã, uma mulher bela e perigosa), sem que o Cardeal tome conhecimento. Acreditando que seu plano está funcionando plenamente, o Cardeal se prepara para executar (através de um atirador) o Rei Luís, na festa de comemoração de seu aniversário. Mais uma vez, no entanto, os mosqueteiros conseguem estragar os planos do Cardeal.

Mesmo com o fracasso do atirador, o Cardeal tenta ainda realizar a execução, raptando o Rei (com o auxílio de sua guarda pessoal) e matando-o com uma espada de um mosqueteiro. Assim, ele se livraria do Rei e dos mosqueteiros de uma só vez. Porém, seu plano é frustrado pelos mosqueteiros novamente. Após alguns duelos de espada, o Cardeal é assassinado por Aramis, boa parte dos soldados de sua guarda são derrotados e D’Artagnan mata o misterioso homem que matou seu pai.

Assim, o Rei Luís retoma o trono ao lado de sua Rainha Anne, da Áustria, a organização dos mosqueteiros é retomada, e D’Artagnan é nomeado mosqueteiro, além de começar um romance com uma dama de companhia da Rainha. E tudo está bem quando termina bem.

Os três mosqueteiros é um filme mediano. Não compromete no que se propõe a fazer: retratar a obra literária, extremamente disciplinada. Algumas perguntas sem muita importância levantadas no decorrer do filme ficam sem resposta. Destaque para a trilha sonora. O elenco é razoável, embora haja algumas interpretações que podemos facilmente julgar ruins ou pior. Para quem gosta de aventuras da idade média, recomendo bastante. No mais, é um filme de Sessão da Tarde.

NOTA (0 a 10): 6.50.

Você, que assistiu a Os três Mosqueteiros, comente o que achou!

Filme: Robin Hood (2010)

10 de abril de 2011 Deixe um comentário

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Em 2010, em uma entrevista sobre o filme Robin Hood, que estrearia no mesmo ano, Russell Crowe, que interpretaria o personagem principal no citado filme, disse que a nova versão da história seria muito melhor que a original (de 1991), versão esta que, na opinião do ator, lembrava “um clipe do Bon Jovi”, de onde eu presumo que Crowe não é um grande fã da banda. De qualquer maneira, as duas versões não podem ser comparadas, pois o filme de 2010 conta uma história alternativa sobre o Príncipe dos Ladrões. Podemos dizer que a história conta como Robin de Longstride, na virada do século XII, se tornou o Príncipe dos Ladrões.

No ano de 1199, o Rei Ricardo Coração de Leão, da Inglaterra, pretende pôr fim à sua fracassada Cruzada de 10 anos contra os infiéis. Já tomado pela desgraça do fracasso enquanto súdito de Deus e levando uma deplorável vida ao lado de seu fiel exército, que já conhece bem a verdadeira personalidade excêntrica de seu Rei, Ricardo deseja voltar à Inglaterra e retomar a reputação que tem diante de seu povo, de um grande líder, um filho da Inglaterra, o verdadeiro Coração de Leão.

Durante esse período a Inglaterra é governada pelo Príncipe João, irmão caçula de Ricardo, um homem jovem sem habilidades de governante, que anula seu casamento com uma legítima dama inglesa para poder unir-se a Isabella de Angoulême, sobrinha do Rei Felipe, da França, dando a este uma razão plausível para invadir a Inglaterra.

O Rei Felipe aproveita-se da situação e contrata Sir Godfrey, irmão de criação do príncipe John, para matar o Rei Ricardo e assegurar que seu irmão assuma o trono, uma vez que este era péssimo governante. Assim, Godfrey parte com a missão de instaurar uma crise no Reino da Inglaterra e mergulhá-lo em uma guerra civil, possibilitando e facilitando, assim, uma invasão francesa. Para melhorar as coisas, o Rei Ricardo morre em sua última batalha antes de voltar à Inglaterra.

Neste cenário, Robin de Longstride, arqueiro Cruzado do exército do Rei Ricardo, e Sir Robert Loxley, amigo pessoal do Rei, assumem papéis importantes. O segundo morre em uma emboscada, e Robin volta à Inglaterra usurpando sua identidade com a missão de entregar a coroa do Rei à sua mãe, Eleanor de Aquitaine, além da espada de Sir Robert a seu pai, Sir Walter Loxley de Nottinghan. Robin completa as duas tarefas com sucesso, e aceita fingir ser Sir Robert Loxley, a pedido de Sir Walter, que alega conhecer informações sobre seu passado, que seriam reveladas a seu tempo. No desenrolar da trama, Robin se apaixona pela viúva de Robert, Lady Marian.

Após ser coroado Rei, John ordena a cobrança abusiva de impostos de seu falido povo, em uma amadora tentativa de preencher o rombo financeiro causado pela fracassada Cruzada de seu falecido irmão, Ricardo. Godfrey convence o Rei a permiti-lo fazer as cobranças de impostos, e percorre o Reino da Inglaterra com um exército francês destruindo feldos e condados sob a bandeira inglesa, promovendo, assim, o povo inglês contra seu próprio Rei. Uma forte guerra civil se instaurava na Inglaterra, exatamente como o Rei Felipe da França havia planejado.

Quando a Inglaterra está à beira de um colapso e a invasão francesa se aproxima, Sir Walter Loxley decide contar a Robin sobre seu pai, Thomas Longstride, e sobre seu passado. Robin descobre que seu pai havia sido um revolucionário que redigiu um manifesto ao Rei assinado por dezenas de condes que concedia “verdadeira liberdade” ao povo. Uma espécie de Declaração dos direitos humanos primitiva, também sob o lema Liberdade, Igualdade e Fraternidade. Obviamente, Thomas Longstride havia sido executado devido à sua “incitação à rebelião”.

Walter envia Robin para representá-lo em uma reunião de condes contrários ao governo do Rei John, e pretendentes de atacar Londres e depô-lo. Willian Marshal, velho amigo de Walter e de Thomas, consegue convencer os condes a se unirem sob a bandeira de John contra um mau maior, a invasão francesa. O Rei, já ciente da traição de seu amigo Godfrey e da invasão, comparece nesta reunião e dá sua palavra que, após a guerra contra a França, assinará o Estatuto exigido pelos condes.

Godfrey, que sabia da morte de Robert Loxley, invade com seu exército francês Nottinghan, com o objetivo de matar Robin Longstride. Ao não encontrá-lo, e após destruir o vilarejo, Godfrey mata o velho e cego Sir Walter. Após isso, parte em direção ao Litoral, para apoiar o desembarque do Rei Felipe. Robin, mais tarde, extrai de um prisioneiro francês a informação de qual seria o local e a data do desembarque.

Assim, unidos sob uma só bandeira, os soldados ingleses rumam em direção ao mar, para repelir a invasão francesa. Pegos de surpresa, os franceses são aniquilados antes mesmo de conseguirem aportar por completo. O Rei Felipe, ao prever o desastre, ordena que seu navio, ainda em mar, retorne à França, rendendo-se assim, à resistência inglesa. Após um duro duelo de espadas com Godfrey, Robin, em uma cena fantástica, lança em direção ao traidor uma flecha a uma grande distância, para atingir o alvo em movimento. Com uma precisão sobre-humana, que é a marca registrada do herói, a flecha atravessa o pescoço de Godfrey. Robin se torna, assim, um herói popular.

No entanto, após a vitória na batalha, o Rei John, em pronunciamento público onde deveria assinar o estatuto prometido, supreendentemente se recusa a fazê-lo e queima o estatuto, para revolta geral. Usando da força, o Rei submete o povo a seu domínio e declara Robin Longstride, também conhecido como Robin Hood (palavra inglesa que significa “capuz”), é um fora-da-lei e um inimigo do Reino, assim como todos aqueles que com ele cooperarem. Desta forma, o Rei John dá início ao seu tirânico e opressor reinado.

Robin, por sua vez, foge com sua agora mulher Lady Marian para a floresta de Nottinghan, abrigado pelos selvagens garotos órfãos que, em meio à pobreza, haviam fugido de seus vilarejos para a mata e viviam do roubo e da caça. Eles são acompanhados pelos clássicos e fiéis companheiros de Robin, Frei Tuck, João Pequeno, Will Scarlett e Alan A’Dayle. O filme termina com as sensacionais palavras “E assim começa a lenda”.

A atuação de Russell Crowe é razoável, mas muito abaixo do que se espera de alguém que ridiculariza um grande filme como é a versão original. Belos cenários, fotografias e figurinos, que nos prendem a atenção e nos transportam para a Idade Média. Além disso, este filme aborda de uma maneira diferente (e o diferente sempre atrai a atenção) a lenda do herói inglês que tira dos ricos e dá aos pobres. Um dos melhores filmes deste ano, sem dúvida. Recomendo com força que todos assistam.

NOTA (0 a 10): 8.50.

E você, o que achou desta nova versão de Robin Hood?

Livro: Eragon

3 de abril de 2011 Deixe um comentário

Acabo de ler o livro Eragon (2003, editora Alfred A. Knopf), escrito pelo jovem talento Christopher Paolini, à época com cerca de 18 anos (hoje com 27).

O livro narra a história do protagonista Eragon, um garoto de 15 anos que vive em um vilarejo com seu tio e seu primo, que ele considera sua família, já que ele não conheceu seus verdadeiros pais. Durante uma caçada, Eragon encontra o que ele acredita ser uma pedra preciosa, mas que se revela um ovo de dragão, que dá origem a Saphira, seu dragão e sua melhor amiga durante toda a história.

Eragon descobre um mundo novo ao descobrir Saphira, um mundo de Cavaleiros de Dragões, de feiticeiros, de elfos e anões, de espectros e urgals (criaturas malignas e bizarras). Após acontecimentos imprevistos e cruéis, Eragon se vê obrigado a fugir de sua vida normal e enfrentar o seu destino, que inclui a luta pela vingança e a guerra pela justiça e pela liberdade contra o maligno Império que governa sua terra. Guiados pelo velho e misterioso Brom, que o treina e parece conhecer praticamente todas as coisas deste mundo fantástico, Eragon e Saphira enfrentam extraordinárias aventuras.

“Eragon” é uma aventura épica, com todos os aperitivos que fazem deste estilo de literatura um dos mais apreciados dentre os leitores. A história traz traços bastante bem definidos de um título clássico, O Senhor dos anéis. Ainda assim, mantém sua originalidade.

Christopher peca um pouco na coesão do texto, podemos encontrar alguns “vácuos” desconfortáveis entre um acontecimento e outro. Alguns sutis, outros mais perceptíveis. Claro que isso prejudica o conjunto da história, mas nem de longe compromete. “Eragon” ainda é um grande livro.

Não encontrei na história nenhum erro gritante que não se possa admitir de um garoto de 18 anos. Suas poucas falhas na escrita são próprias de quem ainda não possui uma vasta experiência na literatura, mas não tenho dúvidas que Paolini terá uma carreira brilhante, e se tornará um grande escritor com o tempo.

De um modo geral, Eragon é um livro muito bom. Considerando-se as circunstâncias do autor, é excelente. E a saga, batizada de “Ciclo da Herança”, tem dois outros livros já publicados, “Eldest” e “Brisingr”, e deve ter sequência ainda maior.

Recomendo “Eragon” a todos os leitores que apreciem ficção, aventuras épicas e histórias de dragões. Vocês provavelmente não vão se arrepender!

NOTA (0 a 10): 7.00

E vocês? O que acham de “Eragon”? Comente, deixe sua opinião aqui!

Categorias:Livros
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